26/09/2006 22:21
O IMPRESSIONANTE TARSO GENRO E OUTRAS ESTOMATITES
Os nossos 4 ou 5 leitores devem estar achando que essa quitanda fechou-se de vez. Não é para menos: problemas técnicos nos deixaram fora do ar por quase um mês e, na volta ao batente, a preguiça (e outras coisas que cito em seguida) tomou conta. Passa, nuvem negra!
Confesso que depois de todas essas sujidades dos últimos dias a vontade de escrever quase anulou-se. As novidades são tantas, tão profusas e as mentiras deslavadas dos petralhas são tão acachapantes que a gente acaba perdendo de todo o ímpeto de postar algo nesta josta. A desfaçatez do nosso gramsciano predileto, entretanto, é tão descomunal que resolvi bater uma bolinha rapidinho.
Pois bem: Tarso andou dizendo pelaí que tem certeza de que o Apedeuta vence no primeiro turno e que já está maquinando, elaborando, inventando, defecando um acordão com as oposições em torno de uma agenda mínima para o próximo mandato. Até aqui, tudo normal. O problema (engulho estomacal, hepático e esplênico) aparece quando ele diz que as oposições estão fazendo de tudo para 'melar' a eleição. Segundo ele, os opositores do Menas tramam abertamente contra a república - faz-me lembrar de uma frase de Catão, se não me falha a memória, aludindo a Júlio César: 'custa-me acreditar que esse homem de modos refinados, com cabelos esplendidamente penteados, que coça graciosamente a cabeça com apenas um dedo, esteja agora tramando tão abertamente contra a república' - e estariam tentando golpear a democracia. Por que ele diz isso? Por causa da ação movida por PSDB e PFL que corre no TSE. Lula já foi notificado e deve apresentar em cinco dias sua defesa no caso do dossiê Roque Santeiro. Segundo nosso tresloucado e aloprado inversor de culpabilidades, uma ação legítima oriunda de uma instituição legítima, caso considere Lula culpado, estará aplicando um 'golpe branco'. Faltou dizer que Lula e seus acólitos, que parecem se substituir como moscas - você mata uma e vem outra no lugar - foi o porto de onde partiu toda essa celeuma. Faltou dizer também que, em 1999, poucos dias depois da posse de FHC para o segundo mandato, Tarso exigia que ele fosse tungado do poder. Algum motivo em especial? Não. Apenas insatisfação com a desvalorização do real. Nada de tentativa de golpear a democracia. Nada de dossiê. Nada de dólares injustificados. Nada de ministro da justiça fazendo de tudo para acobertar a origem de dinheiros não explicados. Apesar de tudo isso, Tarso não enxergava golpismo branco em seu 'fora, FHC!'. O tucano era apenas o seu Goldstein. Ele estava praticando sua meia-hora diária de ódio.
Mas onde estaria agora o seu 'apego' pela democracia? Por que diabos, diante de tantas denúncias, diante de tantos descalabros, diante de tanta audácia, diante de tanto desprezo pelas coisas legais, ele agora acha que a oposição estaria exagerando e aplicando 'golpismo branco'? tasso Jereissati foi certeiro: golpismo é criar um serviço de espionagem da vida dos outros integrado por funcionário do Banco do Brasil e por assessor da Presidência da República. Mas nisso Genro, mui gramscianamente, não vê mal algum. Imaginem se esse escândalo tivesse os protagonistas trocados. Imaginem tucanos sendo flagrados com aquela dinheirama toda para comprar dossiê forjado para prejudicar Lula.
Mas voltemos ao tema da concertação: Tarso disse que o PT chamará todo mundo para a conversa em torno da reforma política e da tramitação do orçamento de 2007, inclusive PSDB e PFL. E ainda foi de uma complacência rara: afirmou que os partidos de oposição 'nem precisam retirar o que estão dizendo' para integrar a mesa de negociações. Que beleza! Que riqueza! Está chovendo na matriz! Ai, meu deus do céu, me sinto tão feliz! É a verdadeira Ópera do Malandro. A oposição nem precisa deixar de dizer somente a verdade para sentar com esses facínoras. Ab executione incipiendum non est. O provérbio do latim diz que não se deve começar pela execução. Tudo bem. Mas DEPOIS que Genro tiver sido fuzilado. Aí tem conversa.
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O reino do faz-de-conta - a patologia que o PT certa vez identificou em Collor parece mesmo ter-se voltado contra os petralhas. E não só contra eles, mas contra tudo do que eles se apoderaram. Polícia Federal inclusive. Depois do grampo telefônico na linha do presidente do TSE, Marco Aurélio Melo, constatado pela empresa Fence, especializada de segurança privada, surge laudo de criminalística da PF dizendo que não há nenhum grampo e que nunca houve. Não há indícios de que exista um grampo, nem mesmo de que ele tenha sido colocado e posteriormente retirado. A autoridade eleitoral máxima do país reagiu com ironia. Disse que estamos de fato no reino do faz-de-conta, onde nada acontece, onde ninguém rouba, onde ninguém viola direitos constitucionais líquidos e certos, onde a democracia não é sinistramente espionada. Questionado sobre um eventual equívoco da firma, Marco Aurélio disse que é até possível que tenha acontecido, mas que não se pode presumir o extravagante. Uma firma especializada em detectar grampos telefônicos teoricamente não erraria de forma tão grosseira e não seria irresponsável ao afirmar, de maneira sensacionalista, que havia grampo. 'A presunção é de que nem todos são salafrários', disse o presidente espionado do TSE.
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Mais faz-de-conta - o chip do telefone de Gedimar Pereira Passos, um dos homens da(s) mala(s) no episódio do dossiê Roque Santeiro, desapareceu como que por encanto. Onde? Quando? Precisamente quando o meliante dirigia-se à Polícia Federal para depor. Sob as barbas dos federais. Que diabos de corporação é essa em que está se transformando a PF? Policiais que não vêem o indiciado livrar-se de uma prova, peritos que não identificam grampos telefônicos, delegados assumindo de pronto e publicamente que 'será praticamente impossível saber isso, será muito difícil rastrear aquilo'...
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Dólares - as doletas envolvidas no fatídico incidente dos 'aloprados', que não tinham origem definida e teriam entrado ilegalmente no país, agora já têm explicação. Achou-se uma origem legal para elas. A PF diz que conseguiu até descobrir (puxa, que eficiência!) a instituição financeira que as troxe de Miami. Mas o nome do dono da quitanda, neca.
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Não duvido de que nesta questão do dossiê a PF acabe achando 'provas' irrefutáveis contra José Serra, Geraldo, FHC, mim, você e quem mais se alinhar contra a petralha. Estamos todos perdidos nas mãos do governo (?) que mais despreza os valores pelos quais jurou zelar.
The Big Brother is watching you...
enviada por Márcio Mantovani
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