12/01/2007 14:04
O PSDB ACABOU? OU É ISSO AÍ?
Já era lamentável para um partido que se pretende uma das grandes forças políticas do país apoiar a pré-candidatura do comunista do Brasil Aldo Rebelo à presidência da Câmara. Aldo NÃO representa independência em relação ao Planalto. É, com efeito, um presidente mais submisso aos interesses do governo do que o foram os presidentes de Câmara durante o regime autoritário. Causa mais espécie ainda, pela falta de habilidade na percepção dos horizontes políticos de médio e longo prazo, pela exacerbação de interesses locais ou regionais em detrimento do nacional, pela inobservância do pensamento e do desejo de seus 40 milhões de eleitores, que esperavam uma atitude digna de oposição e para quem o PSDB virou as costas, o indigesto apoio à candidatura Chinaglia. Não é possível nem admissível que um erro estratégico tão crasso, tão óbvio, tão gritante e de proporções históricas tão avassaladoras e deletérias como esse não seja percebido pelas lideranças tucanas, ou seja interpretado como algo que um dia renderá viçosos frutos ao partido. FHC posicionou-se contra, mas parece - lamentavelmente - voz vencida pela cegueira da legenda, que deixou o espírito público de lado e entregou-se com sofreguidão faceira ao que sempre criticou no PT desde que este se tornou governo: a negociata de cargos pura e simples, a prática nefanda do toma-lá-dá-cá, o jogo político em sua pior acepção e no sentido mais torpe. Some-se a isso o fato de que o apoio é solicitamente oferecido ao partido que há menos de seis meses conspirou abertamente contra o PSDB no inacreditável episódio do dossiê Vedoin. As práticas do PT, prezados tucanos, não autorizam nenhuma espécie de convencionalismo político. Pedem, ao contrário disso, respostas igualmente heterodoxas. Não estou sugerindo - repare-se muito bem - que o modus operandi petista seja repetido. Ninguém se equipara ao PT quando o assunto em questão é desrespeitar normas de boa convivência e - por que não? - o código penal ou as leis eleitorais. O que não se pode nem deve fazer, entretanto, é facultar aos petistas licenças, benesses e condescendências que eles não dispensam a seus adversários.
Mais tarde o PSDB vai ficar se perguntando por que as coisas deram tão errado e por qual motivo seu eleitorado pulverizou-se no ar, fazendo o partido encolher a ponto de se tornar um mero coadjuvante, se muito, do jogo político brasileiro, quando poderia ter ocupado por muito tempo ainda o lugar de sujeito.
O PSDB não é o Brasil, mas sua morte deixa sozinho o PFL, que também não está sabendo se comportar nem posicionar, na quase impossível empreitada de proteger o país da ameaça (tão clara!) autoritária que o petismo encarna e representa.
enviada por Márcio Mantovani
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