01/08/2007 18:21
DUAS SEGUIDAS É DEMAIS
Na segunda, foi-se Bergman. Mal os segundos cadernos foram pras bancas com seus necrológios, e bate as botas o Antonioni. Já não filmavam nada, os dois. Não havia, nem haverá mais, espaço pro tipo de cinema que ambos faziam. E que 'tipo de cinema' era esse? Cinema para adultos, ora essa. Hoje em dia, quem tem mais de 12 anos não consegue escolher filme pra ver na telona - e raros são os que valem a pena no conforto da sala, diante da TV (reedição não vale, claro, falamos aqui de coisa nova(??)). Até brinquedo bobo - já achava os transformers uma merda na época em que surgiram, e não acreditei quando a (péssima) série de animação passou na TV - vale como argumento (!!?!?) pra filme hoje. O futuro é vórtex? E será que Woody Allen anda se sentindo bem?
Assim que eu soube que o Bergman tinha partido, lembrei-me de 1999, quando Kubrick morreu. O anúncio no telejornal era algo do tipo "o cinema perde um de seus maiores mestres" (eta povo criativo) e eu tasquei: 'Foi o Bergman!'. Sei lá por que cismei com o caboclo viking. Mas tinha-se ido o velho e excelente Stanley. Daí, dessa vez, morto de verdade, não pude deixar de pensar: 'Ludibriou-nos a todos por quase uma década, hein Ingmar? Seu velho sacana!'.
Sobre Antonioni, pouca coisa a dizer. Não faz muito vi 'Zabriskie Point' num canal a cabo qualquer. Coisa fina, embora não memorável, ao menos não como o desde já inevitável filme do fim de semana. 'Passageiro - Profissão Repórter' vai rolar no CineRocha. Talvez sábado. Apareçam com a cerveja e a pipoca é por conta da casa, hehehe...
enviada por Alessandro Ferreira
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